A iniciativa é do empresario Sergio Habib, ex-presidente da Citroën no Brasil e importador oficial da Jaguar. As conversas começaram há sete anos, mas apenas agora se concretizaram. “Há um publico muito interessado nessa classe de carros”, aponta Habib. “Um Aston Martin é muito mais que apenas desempenho. Uma Ferrari, por exemplo, é motor, suspensão e freio. Um Aston é muito mais que isso, há um envolvimento com o prazer de dirigir. Está até na chave, o prazer de fazer a ignição e ouvir o motor”, explica Habib, referindo-se à partida dos carros da marca, que é feita “à moda antiga”, sem tecnologia keyless.
Todos os luxos associados aos modelos Aston Martin estarão reservados aos brasileiros. Uma de suas características são o refinamento e cuidado na fabricação, com acabamento artesanal que permite customização até os mais intrincados detalhes. “Se o cliente brasileiro quiser um tipo específico de couro nos bancos, ele poderá escolher. Até mesmo a costura, ele pode decidir se quer algo mais grosso, esportivo, ou se prefere algo mais fino e discreto”, diz Norman, gerente de operações da Aston Martin para as Américas.
Em São Paulo, a operação da concessionária Aston Martin seguirá a linha de outras espalhadas pelo mundo. O cliente escolhe cada detalhe de seu carro em um pedido que é enviado diretamente a fábrica inglesa. Mas também haverá um showroom com unidades à pronta entrega, segundo Norman, “para as compras impulsivas”.
“Cerca da metade dos clientesde veículos de luxo faz a compra por ter recebido uma grande quantia inesperada de dinheiro. Ao ganhar algum processo, ou na loteria, artistas, jogadores de futebol”, esclarece Habib. Ou seja, cerca de 20 dos 40 carros que a Aston Martin planeja comercializar no país em 2010 deverão ser entregues para recém-milionários. “Também são pessoas que já conhecem o produto e se interessam pelo estilo inglês. E o Aston Martin é essencialmente inglês”, aponta Habib. 12 unidades já foram encomendadas e estão a caminho do porto paulistano, com um mix que representa a aposta para os modelos mais procurados: oito V8 Vantage, três DBS e um DB9. “Os conversíveis não deverão ser muito procurados. Talvez seja algo em torno de 10% do total”, aposta Habib.
Após 2009 marcar uma queda considerável de vendas nos EUA, seu principal mercado, o comércio no Brasil é uma notícia promissora para a montadora. A ação exigiu atenção especial, a fim de superar as importadoras independentes. “Iremos oferecer modelos específicos para o Brasil. Eles trazem detalhes trabalhados especialmente para o consumidor brasileiro. Por exemplo, todos os Aston Martin vendidos aqui poderão rodar com etanol”, esclarece Norman. Os motores ingleses foram adaptados para rodarem com álcool, embora a recomendação seja utilizar gasolina de alta octanagem.
Novos caminhos
A surpresa foi geral quando a Aston Martin revelou no final do ano passado o Cygnet, compacto criado em parceria com a japonesa Toyota. O projeto é uma total mudança de direção, que fez muitos questionar se esse é o caminho certo para a tradicional fabricante de esportivos. “Acreditamos que o modelo tem a proposta ideal para as grandes cidades. E abordamos a idéia sem abandonar o jeito Aston Martin de fazer carros”, explica Norman.
Apesar de ser feito em parceria com a Toyota, a marca japonesa é responsável pelas partes mecânicas do modelo. Coube à inglesa levar o seu conhecimento no desenvolvimento do acabamento e conforto. O Cygnet (que significa “filhote de cisne” em inglês) será fabricado pela Aston Martin seguindo sua tradição artesanal. “Ele é perfeito para grandes metrópoles como Nova York, Paris e sao paulo. Um V8 Vantage é ótimo para as estradas brasileiras, mas sabemos que o cliente fica muito mais confortável se tem um Aston Martin prático e confortável como o Cygnet para seu cotidiano”, diz Norman. O compacto conta com um motor 1.4 e começa a ser vendido na Europa até o fim do ano, chegando aos EUA e Brasil em 2012.
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